Polémica no Fogo: Sócios da “Salina Turismo e Serviços” não aceitam demolição da infra-estrutura turística em Salinas

Está instalada a polémica à volta da infra-estrutura turística “Salina Turismo e Serviços”, localizada na estância balnear de Salinas, no Concelho de São Filipe da ilha do Fogo. Os sócios manifestam-se contra à proposta da Câmara Municipal para demolir essa construção, como sugere o projecto “Ecoturismo na Piscina Natural de Salinas”, financiado pela União Europeia.

Persiste o impasse quanto à proposta para se demolir a primeira unidade turística construída em Salinas de S. Filipe do Fogo. É que a infra-estrutura “Salina Turismo e Serviços” remonta aos anos 1992/93, quando se deu ao início de um projecto turístico que consta de cinco quartos e casas de banho, uma sala de espectáculos com capacidade para 400 pessoas, uma esplanada e uma cozinha.

Em reunião no passado dia 26 de Março, em Boston (EUA), três dos quatro sócios do referido empreendimento concluíram que estão abertos a discutir qualquer proposta da Câmara Municipal de S. Filipe, mas avisam que recusam aceitar a posição unilateral tomada em relação à propriedade que lhes pertence.

É que a edilidade sanfilipense já propôs ao procurador dos quatro sócios para “demolirem o prédio, já degradado, para que se possa materializar o projecto financiado pela União Europeia”. Porem, os donos só aceitam demolir o prédio com a única condição: compensação financeira estabelecida pelos quatro investidores.

A Câmara disponibiliza, como compensação aos proprietários residentes nos Estados Unidos da América, duas habitações no prédio Casa para Todos em Cobom. No entanto, esta proposta não satisfaz aos investidores referidos.

Estes desmentem que propriedade em causa esteja em adiantado estado de degradação, como alega o edil sanfilipense Jorge Nogueira. Confirmam que têm garantido a sua manutenção e um guarda para assegurar a integridade do investimento.

Os sócios de Salina Turismo e Serviços refutam também a ideia de que a propriedade esteja situada na orla marítima e que não houve concessão por parte das autoridades competentes para construírem ali. Por isso, manifestam-se estranheza em relação a essa afirmação, por considerarem que não se trata do único investimento realizado, nos termos da lei, numa orla marítima em Cabo Verde.

Mais: os donos dizem-se indignados com o facto de nenhum deles terem sido contactados e avisam que dispõem de todos os documentos legais e o registo matricial com as contas em dia do referido empreendimento turístico.

Relativamente ao projecto de uma construção que não seja de betão armado como propõe a Câmara, os sócios estão dispostos a re-construir, de base, uma infra-estrutura que obedeça aos parâmetros que se enquadrem dentro de um propalado projecto de requalificação da União Europeia, caso isso venha a ser concretizado.

Os mesmos sócios lamentam que essa estância balnear atractiva e tão visitada do Fogo não possa contar com a já antiga promessa de instalação de electricidade e água, que é uma antiga reivindicação não só desses investidores como de todos aqueles que têm frequentado essa praia, considera como a maior piscina natural de Cabo Verde.

UE financia requalificação de Salinas
Conforme se apurou, a União Europeia (UE) vai financiar o projecto “Ecoturismo na Piscina Natural de Salinas”, da Câmara Municipal de São Filipe. Mais de 39 mil contos destinar-se-ão a requalificar toda a área da estância balnear de Salinas, para tornar a região mais atraente aos olhos dos turistas. É o despertar do Fogo, segundo agentes económicos locais, para um dos seus pontos mais emblemáticos – que tem todas as potencialidades de atracção turística de alto padrão, fincado na originalidade da ilha do vulcão.

A fazer fé na nossa fonte, a requalificação física do acesso ao local é a prioridade do projecto. Prevê, igualmente, a instalação de equipamentos de segurança, iluminação artificial, abrigo para os botes dos pescadores e áreas de lazer, que confiram a este local o selo de sítio de interesse turístico.

Por outro lado, o envolvimento das comunidades próximas é o segundo foco, apostando-se na preservação ambiental, enquanto factor chave para dinamizar a economia da ilha. Mas para isso a autarquia precisa consciencializar a população, de modo a que ela tire proveito dos recursos sem descaracterizar o espaço, preservando-o para potenciar a actividade turística sustentável e solidária.

Orçados em mais de 39 mil contos, os trabalhos para requalificar toda a área da estância balnear de Salinas deverão durar um ano. Espera-se que concluídas as intervenções haverá mais turistas, nacionais ou estrangeiros, gerando naturalmente uma nova dinâmica económica à volta deste ponto da ilha do Fogo.

Além do sector turístico, serão beneficiadas as comunidades piscatórias de São Jorge, Campanas Baixo, Campanas Cima e Galinheiro, que retiram o seu sustento do mar, mas através do ancoradouro de Salinas.

Situada na zona norte de São Filipe, a estância balnear é famosa pela sua grande piscina natural de água salgada, muito procurada pelos amantes de mergulho e pesca submarina. Está suficientemente perto dos destinos ideais para a prática do turismo de montanha e actividades náuticas.

Salina Fogo Resort em construção
Outro elemento novo para a estância balnear de Salinas é, a construção de um hotel resort. As obras já estão em fase bastante avançada. O Salinas Resort ocupa 10 mil metros de terreno, onde estão a ser erguidos seis bungalows, totalizando 10 quartos equipados, piscinas e restaurante. No piso superior, haverá mais quatro suites.

Quando o resort estiver pronto, Fogo alargará a sua oferta de camas e serviços de restauração e lazer, passando a ter sete empreendimentos hoteleiros. Neste momento, a ilha possui cinco hotéis – Xaguate, Savana, Casas do Sol, Santos Pina e Ola Mar –, além de pensões, 15 das quais em S. Filipe. Além disso, a construção do resort em Salinas ajudará a melhorar as condições de vida das populações mais próximas, ao dar emprego e fomentar o artesanato, a pesca semi-industrial e as actividades náuticas.

Fonte: A Semana

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