Plataforma de encontro entre quem quer investir e quem quer desenvolver projetos

Entre negócios a avançar e outros para concretizar o Cabo Verde Investment Forum, no Sal, triplicou o valor financeiro pretendido inicialmente – de 500 milhões de euros, passou para os 1,5 mil milhões de euros.

Foram três dias de palestras, encontros (os B2B), contatos e assinaturas com o objetivo de transformar Cabo Verde numa plataforma de negócios no Atlântico Médio.

Em números, o CVIF2019 teve mais de 400 participantes, entre empresários, instituições financeiras nacionais e internacionais e representantes de instituições públicas e privadas. Encontros registados contabilizam-se 119 (B2B), mas a organização acredita que outros tantos se realizaram sem qualquer oficialização.

Foram assinados acordos acima dos 1,5 mil milhões de euros. E em cima da mesa estiveram 41 projetos que reuniam as condições para ser apresentados no âmbito deste evento, a maioria na área do turismo. Geograficamente, desses projetos, 13 são para o Sal, 12 para Santiago, 7 para São Vicente, 3 para a Boa Vista, todas as restantes ilhas têm um projeto cada uma.

“A apreciação é que foi excelente”, disse à imprensa Manuel Lima, presidente da Bolsa de Valores de Cabo Verde e membro da organização do fórum, “demos o nosso máximo no sentido de abrir portas e oportunidades para os empresários, mas também trazer novos investidores para o processo”.

Para o evento vieram projetos acima dos 2,5 milhões de euros, mas também se negociaram soluções para projetos mais pequenos, que serão divulgadas mais tarde. No total, cinco projetos têm dimensão superior a 100 milhões de euros, podendo chegar aos 160 milhões. Todos para o turismo. Aliás, dos 41 projetos, 31 são para o setor turístico, mas há também para as áreas da indústria, tecnologia, agro-negócio e TIC. “A perspetiva é analisar se vamos continuar com este formato ou se vamos segmentar para que os outros setores também tenham expressão e visibilidade”, explicou Manuel Lima.

Entre os investidores que estiveram no Sal, de entidades internacionais, de bancos e de seguradoras, mais de 40% foram investidores internacionais.

O Cabo Verde Investment Forum (CVIF) resulta do compromisso assumido pelo Governo na sequência da Conferência Internacional “Construindo Novas Parcerias para o Desenvolvimento sustentável de Cabo Verde”, realizada em Dezembro de 2018, em Paris.

O fórum teve o patrocínio do Gabinete do Primeiro Ministro e foi organizado em parceria com o Governo, o Ministério das Finanças, a Bolsa de Valores, a Câmara de Comércio do Barlavento e a Câmara do Sotavento de Cabo Verde. As metas essenciais eram conectar pessoas com as instituições, engajar parcerias e fechar negócios. “Conseguimos atingir todos os objetivos”, disse o Ministro das Finanças, Olavo Correia, no discurso de encerramento, “valeu a pena estes três dias de trabalho intenso”.

“Foi um trabalho de parceria com o setor privado. A governação hoje, ao contrário do passado, tem de ser aberta, responsável, participativa. Não há papeis mais importantes de uns e de outros, o ministro não é mais importante que o empresário, o ministro não é mais importante que o funcionário. Por isso é importante a parceria com o setor privado. Mas tem de ser efetiva, não pode ser uma meia parceria, tem de se ser parceiro 24h sobre 24h”, reforçou o governante.

A mensagem que o ministro das Finanças passou é que o Estado não tem nada para dar a ninguém, mas sim para criar o ecossistema de investimento que deve ser aproveitado pelo setor privado. “Ninguém peça um tostão ao Estado. O Estado não pode estar a fazer divida internacional para dar aos cidadãos ou às empresas. O que há é um Estado que cria oportunidades, que empodera as empresas, que partilha riscos, que está em parceria efetiva com o setor privado para fazer as mudanças que o país precisa”, disse Olavo Correia.

“Conseguimos, durante este fórum, ter a participação de todos os continentes. Três dias de um debate qualificado entre pessoas que querem empreender e que precisam do melhor ambiente de negócios. Passo uma mensagem à nossa administração pública: sirvam os empresários e as empresas, sejam facilitadores, por que estarão a prestar um serviço à juventude cabo-verdiana e às ilhas de Cabo Verde. Não existimos para bloquear. E temos de trabalhar para criar novas oportunidades todos os dias, não apenas no turismo, mas nas tecnologias, no sistema financeiro, nos transportes, nas indústrias”, reforçou o ministro.

A equipa executiva que foi criada para organizar o fórum vai manter-se e garantido para o próximo ano, também no mês de Julho, ficou o segundo fórum. Ainda não se sabe onde.

“Queremos transformar este fórum numa plataforma de investimento e queremos contar com o apoio de todos”, sublinhou Olavo Correia. “Vamos ter de trabalhar, a partir de hoje, para concretizarmos de facto estes investimentos. Não podemos anunciar e prometer e depois não fazer acontecer. Temos uma responsabilidade enorme em fazer acontecer para podermos credibilizar a classe política e a classe empresarial”, concluiu o ministro das Finanças.

Fonte: Expresso das Ilhas

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