Cabo Verde deve fazer da eliminação da malária uma bandeira nacional – OMS

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou ontem a Cabo Verde que faça da eliminação da malária uma "bandeira nacional", numa altura em que o país regista números recordes de mais de 180 casos da doença, a maioria autóctones

A recomendação foi feita pelo representante da OMS em Cabo Verde, Mariano Castellón, à saída de uma audiência com o Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, em que o surto de malária no país foi o assunto principal da conversa.

"Cabo Verde tem que converter a eliminação da malária numa bandeira nacional, coloca-la na agenda política e fazer uma grande aliança com os sócios do Governo na cidade da Praia, a nível nacional e no âmbito da comunidade internacional", apontou Mariano Castellón, esperando mais apoios para a meta de eliminar a doença do país até 2020.

O responsável considerou que se o país preencher alguns requisitos da OMS, poderá até eliminar a doença do país antes de 2020.

Segundo dados disponibilizados à imprensa pelas autoridades de saúde, Cabo Verde já conta com mais de 180 casos de malária (entre autóctones e importados), um número recorde, já que o maior até agora registado desde 1991 tinha sido 140 casos, em 2000.

A maior incidência de casos é na cidade da Praia, com 171, sendo que o máximo até agora tinha sido 102 (95 locais e sete importados) em todo o ano de 2001.

Em janeiro, Cabo Verde foi distinguido pela Aliança de Líderes Africanos contra a Malária (ALMA) com o prémio Excelência 2017, pelos resultados alcançados no combate à doença.

A OMS estima que o país tenha reduzido a sua taxa de incidência e de mortalidade associada à malária em mais de 40% no período decorrente e prevê também que tenha capacidade de eliminar a transmissão regional até 2020.

O representante da OMS em Cabo Verde notou que o número de casos registados "é anormal", porque foi antes da época das chuvas, mas sublinhou que não põe em causa os esforços do Governo de eliminar a doença do país, que é um dos 12 que está em fase de pré-eliminação.

Mariano Castellón apelou, por isso, a uma melhor gestão da água a nível global, mas também ao nível privado, nas casas e na vizinhança.

O representante da OMS pediu também "maior atenção" e "acompanhamento de perto" da indústria da construção, principalmente na cidade da Praia, que pode gerar criadores de mosquitos e contribuir para o aumento de casos de malária na capital cabo-verdiana.

"Estamos a falar da indústria da construção maior, da indústria da construção mediana, mas também da iniciativa das pessoas de construir a sua residência passo-a-passo, para deixar um legado aos seus familiares e às novas gerações ou com diferentes destinos", referiu, adiantando que a indústria de construção deve ter uma responsabilidade social a nível da saúde pública.

Mariano Castellón elogiou o bairro de Fonton, um dos principais focos habituais de mosquitos, mas que até agora não registou qualquer caso, dizendo que a "boa performance" se deve aos investimentos da Câmara Municipal na requalificação urbana, ao envolvimento da comunidade e ao "trabalho de formiga" do Ministério da Saúde casa a casa para sensibilização das pessoas.

O representante considera que o bairro de Fonton poderá ser um "modelo" a replicar em outras áreas urbanas, onde há casos autóctones de malária, como Achada de Santo António, Várzea, Ponta Belém, Achadinha, Taiti ou Lém Ferreira.

Mariano Castellón informou que a OMS vai apoiar Cabo Verde, estando prevista a chegada de uma missão de assistência técnica, com especialistas que vão acompanhar a resposta nacional e análise da dinâmica do surto de malária que se intensificou em meados de julho.

O representante indicou que o país vai receber equipamentos para tratamento, testes rápido, mosquiteiros, afirmando que tudo está a ser tratado com as sedes regional em Brazzaville (Congo) e mundial em Genebra, e com outros países africanos que também podem ajudar, como Senegal, Angola, Moçambique ou Guiné-Bissau.

As autoridades cabo-verdianas intensificaram a luta contra os mosquitos, com pulverização espacial e dentro das casas e com campanhas de sensibilização da população para a importância de manter as casas e ruas limpas.

Fonte: Expresso das Ilhas

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