Padre António Vieira esteve no arquipélago por ocasião do Natal de 1652, revelam as “Cartas de Cabo Verde

O lendário Padre António Vieira, conhecido pela sua capacidade oratória, esteve em Cabo Verde por ocasião do Natal de 1652, revelam as “Cartas de Cabo Verde” deste sacerdote português que portou Cidade Velha, a caminho do Brasil.

Em entrevista ao jornal A Nação desta quinta-feira, 21, o professor de teoria Literária de Universidade Federal de Minas Gerais (Brasil), Leandro Garcia, disse que as “Cartas de Cabo Verde” constituem um “importante testemunho” do que era a ilha de Santiago no século XVII.

O especialista em epistolografia diz que em Cabo Verde António Vieira produziu dezenas de cartas, um género literário em que ele é tido, ainda hoje, como um mestre, à semelhança dos sermões, por exemplo, o Sermão da Sexagésima e o Sermão de Santo António aos Peixes.

“O Padre António Vieira esteve em Cabo Verde no Natal de 1652, saiu de Lisboa em direcção ao Maranhão no Brasil”, afirmou Leandro Garcia, citando relatos do sacerdote segundo os quais, a meio do caminho, foram atacados por piratas perto do arquipélago e, por isso decidiram fazer uma “paragem estratégica”.

Segundo as pesquisas de Leandro Garcia, António Vieira terá passado cerca de 20 dias na Ribeira Grande, hoje Cidade Velha, património da humanidade.

Durante esse período, escreve o A Nação, Vieira escreveu um conjunto de cartas, chamadas “Cartas de Cabo Verde”, documentos esses que, até hoje, são pouco ou nada conhecidos.

“Achamos que ele deve ter escrito cartas todos os dias, porque enviou cartas para o Rei de Portugal, para o superior geral da Companhia de Jesus em Roma, para o provincial dele jesuíta em Lisboa e para o Bispo do Japão que era jesuíta em Tóquio”, revela o investigador.

Para Leandro Garcia, essas cartas, que foram publicadas ainda em vida pelo próprio Vieira, no século XVII, encontram-se actualmente dispersas.

“São publicações muito antigas e só podem ser encontradas em bibliotecas antigas ou da especialidade”, precisou, acrescentando que encontrou alguns originais no arquivo da Companhia de Jesus em Roma, no arquivo da Companhia de Jesus em Lisboa e no arquivo da Companhia de Jesus do Brasil que fica no Rio de Janeiro.

De acordo com o pesquisador, as Cartas de Cabo Verde são um “resumo” daquilo que o seu autor viu em Santiago, mais concretamente na Ribeira Grande, ao tempo um importante interposto do comércio negreiro em África.

“Ele fala da musicalidade, da abertura do cabo-verdiano, já naquela época, para a música, ele escreve que o cabo-verdiano tinha um particular talento para a música, que tinha dotes musicais. E diz também que os padres que encontrou cá eram muito zelosos, que faziam bom trabalho de evangelização”, afirmou Leandro Garcia.

O Padre António Vieira, segundo reza a história, de passagem pela Ribeira Grande de Santiago, assegurou ter encontrado, na primeira cidade europeia nos trópicos, padres “negros como azeviche”, tão doutos de fazer inveja aos seus pares em Lisboa.

Fonte: InforPress

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