“Na bancada todos têm opinião”, a resposta de Olavo Correia a José Maria Neves

Depois de, ontem, José Maria Neves ter feito críticas à forma como o governo tem vindo a gerir o negócio da TACV, o ministro das Finanças respondeu dizendo que encontrou uma empresa “completamente falida”.

“Na bancada todos têm opinião. O Sr. José Maria Neves esteve 15 anos para fazer aquilo que devia fazer e não fez. Deixou uma empresa (TACV) completamente falida, só em estudos económicos gastou mais de 7 milhões de euros. Deixou um país sem qualquer visão do ponto de vista dos transportes aéreos e agora vem nos dar lições em como devemos actuar? Em qualquer perspetiva, não pode querer dar-nos lição”, apontou Olavo Correia no final de uma visita a uma das maiores empresas grossistas do país.

Mais uma vez o ministro que tutela a pasta das Finanças pediu: “Dêem-nos tempo que nós iremos apresentar uma boa solução em matéria de hub aéreo ao país”. E prosseguiu dizendo que o governo está a “trabalhar com responsabilidade, com estudos, com pareceres de quem conhece o negócio, para que possamos estruturar da melhor forma este hub. Há muitas companhias aéreas interessadas em Cabo Verde e sempre tenho dito que este é um processo complexo, difícil, exigente, que comporta riscos, mas nós estamos a trabalhar para trazer uma boa solução para o país. O Governo está muito optimista em como será possível a boa solução”.

O ministro garantiu igualmente que o “Afreximbank, há pouco dias, demonstrou engajamento em financiar o conceito do Governo em matéria de hub. Quando apresentamos o plano de negócio ficaram convencidos em como estamos no caminho certo”.

Para Olavo Correia o governo tem uma certeza: “O hub aéreo de Cabo Verde tem de ser um negócio, não pode ser a vontade de cada um. E os negócios têm de ser feitos na base de rentabilidade. Não podemos criar uma nova TACV, no sentido de que o Estado vai continuar a subsidiar com recursos que não tem. Isso deve ser feito numa base de racionalidade económica e financeira. É isto que o Governo está a tentar colocar sobre a mesa. Penso que devemos deixar a emoção de lado, porque o que está em causa são os recursos dos contribuintes e têm que ser geridos com base nos critérios de rentabilidade, da eficiência e da boa governação”.

Quanto ao contracto celebrado com a Icelandair o ministro das Finanças esclareceu que brevemente  “os cabo-verdianos vão ter toda a informação relativa ao contrato feito com a Icelandair. Estamos a trabalhar com toda transparência e numa fase inicial não podemos partilhar tudo, porque num processo de privatização é preciso que determinadas informações sejam reservadas para que possamos proteger o interesse público. No momento certo todos vão saber toda a informação”.
“É preciso paciência e calma e menos ruídos, sobretudo por parte daqueles que estiveram 15 anos para apresentar uma solução ao país e deixaram uma empresa falida, sem qualquer perspectiva”, concluiu.

Fonte: Expresso das Ilhas

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