MpD ganha legislativas em Cabo Verde com maioria absoluta

O Movimento para a Democracia (MpD) ganhou as eleições legislativas realizadas este domingo em Cabo Verde com a maioria absoluta de 53,7porcento, pondo assim fim a um ciclo de três mandatos consecutivas do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) que apenas obteve 37 porcento dos votos expressos pelos eleitores cabo-verdianos.

O partido liderado pelo antigo presidente da Câmara Municipal da Praia e futuro primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, venceu em todos os círculos eleitorais do arquipélago cabo-verdiano, sendo a vitória mais significativa a conquista de três dos cinco deputados na ilha do Fogo, onde o PAICV sempre ganhava desde que foi instaurado o regime multipartidário em Cabo Verde em 1991.
Deste modo, o MpD, vencidor das duas primeiras eleições pluralistas de 1991 e 1996, com a maioria qualificada,  regressa ao poder, após 15 anos na oposição, derrotando o PAICV que governou Cabo Verde na última década e meia, sob a liderança de José Maria das Neves que abdicou de se apresentar novamente ao eleitorado.
O partido vencedor conseguiu 37 dos 72 assentos parlamentares, menos um do que o total de deputados que o PAICV conseguiu na sua maioria absoluta de 2011, contra 26 deputados desta vez.
O terceiro partido com assento parlamentar, a União Cabo-Verdiana Democrática e Independente (UCID), passou de dois para três deputados na Assembleia Nacional (Parlamento).
Outras formaões políticas, designadamente o Partido do Trabalho e Solidariedade (PTS), o Partido Socialista Democrata (PSD) e o Partido Popular (PP), oficailizadas em dezembro último, que também concorreram ao escrutínio, não elegeram nenhum deputado, continuando assim sem representação parlamentar.
Numa primeira reação aos resultados eleitorais, o presidente do MpD e futuro primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, dedicou a vitória a todos os Cabo-verdianos e prometeu começar a trabalhar "imediatamente para pôr o país na rota do crescimento económico".
"A minha primeira tarefa será pôr de pé um programa de emergência para podermos dar respostas concretas aos problemas que os Cabo-verdianos sofrem neste momento e à expetativa que foi criada", disse durante o discurso de vitória.
Sublinhou que "esta é uma vitória para começar um novo ciclo, um ciclo de novas soluções" para Cabo Verde.
O próximo primeiro-ministro cabo-verdiano reforçou também os compromissos assumidos durante a campanha eleitoral de governar para todos os Cabo-verdianos.
Por sua vez a presidente do PAICV,  Janira Hopffer Almada, a primeira mulher a liderar um partido polítiico em Cabo Verde,  reconheceu a derrota e felicitou o líder do até agora principal partido da oposição (MpD).
Em declarações à imprensa, Janira Hopffer Almada disse "respeitar o veredicto do povo" e assumir "as responsabilidades da derrota", prometendo fazer uma "oposição construtiva".
A líder do PAICV anunciou ainda que, nos próximos dias, vai convocar o Conselho Nacional, órgão máximo do partido entre dois congressos, para analisar os resultados das eleições de domingo.
Também o líder da UCID, terceira força política mais votada, reconheceu que o seu movimento falhou o objetivo de acabar com a bipolarização partidária em Cabo Verde, uma vez que não evitou a maioria absoluta.
“É nosso entendimento que funcionou a lógica do voto útil. Os eleitores, com medo de terem o PAICV mais uma vez no poder, resolveram, de uma maneira forte, votar no MpD, 'prejudicando' a UCID", lamentou António Monteiro.
Apesar da UCID ter eleito mais um deputado, todos pelo círculo eleitoral de São Vicente, ele considera que o seu partido saiu derrotado do escrutínio, com a sua ambição de conseguir  cinco deputados necessários para constituir um grupo parlamentar.

Fonte: Panapress

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