Lease Fly quer mercado interilhas

Operação de feeding do hub do Sal começa no próximo dia 13 com o ATR que a Cabo Verde Airlines recebeu em wet lease da Lease Fly. Mas ontem a companhia aérea anunciou igualmente a ligação entre Praia e São Vicente. Ligações interilhas e também a Dakar estão nos planos da Lease Fly.

A Cabo Verde Airlines (CVA) vai começar a fazer a ligação directa entre a Praia e São Vicente confirmou, ao Expresso das Ilhas, fonte da companhia aérea.

“A partir de 13 de Agosto as rotas estarão operacionais, bem como as vendas offline e online estarão disponíveis” não só neste destino como também nos percursos inicialmente previstos entre o Sal e a Praia e também São Filipe.

A ligação entre a capital e São Vicente será feita sete vezes por semana estando previstas ligações entre o Sal e São Vicente (cinco vezes por semana), Sal e São Filipe (quatro vezes por semana) enquanto entre Praia e Sal se vão realizar sete ligações semanais.

Interilhas e ligações a Dakar

A operação está incluída no serviço de feeding dos voos internacionais que a CVA realiza a partir do aeroporto do Sal e que é feito com recurso a, para já, um ATR fornecido pela empresa Lease Fly que está sediada em Portugal.

José Madeira, Director Executivo da Lease Fly explicou, em entrevista ao Expresso das Ilhas, que a ligação com a CVA é feita através de “um contrato de curta duração com a Cabo Verde Airlines. É um típico wet lease para, no fundo, ajudar e preencher um vazio que existe tanto no feeding da Cabo Verde Airlines como nalgumas rotas interilhas.

A ideia, no futuro, será criar uma empresa que explorando o mesmo tipo de aparelhos, neste caso os ATR, continue este trabalho que vai ser iniciado agora com o wet lease”.

“Hoje em dia, mesmo com o horário que já está definido para o início das operações já tem alguma componente de interilhas. Portanto, há a vertente do feeding que é fundamental, mas também existe uma vertente de interilhas que, neste momento, estará em 30% do que é o horário em contínuo mas que pretendemos continuar e, se possível, em função das condições do mercado, reforçar”, acrescentou José Madeira.

No entanto, aquele responsável da Lease Fly não deixou de salientar o interesse que a sua empresa tem em realizar ligações à costa ocidental africana, nomeadamente a Dakar.

“Neste horário que vai começar nos próximos dias já está programada uma rotação semanal ao Senegal, a Dakar, que pode ser ampliada e outros destinos estão a ser equacionados num futuro próximo”, disse José Madeira.

Mais aviões

Depois da chegada do primeiro ATR ao aeroporto da Praia no passado dia 31 de Julho será em Outubro que se dará o reforço da frota da Lease Fly ao serviço da Cabo Verde Airlines. Tudo dependerá das necessidades da CVA mas também do restante mercado.

“No nosso plano está previsto um segundo avião já para Outubro e depois, em função daquilo que forem as necessidades de feeding da CVA e das próprias necessidades do mercado interilhas ou regional podemos aumentar a nossa presença e o número de aparelhos em Cabo Verde”, explica o Director Executivo da Lease Fly.

Processo de licenciamento na AAC

No entanto, tanto as operações de feeding do hub do Sal como as ligações interilhas é necessário um licenciamento que deverá ser atribuído pela Agência de Aviação Civil.

Um problema que, garante José Madeira, está a ser resolvido. “O processo de licenciamento do wet lease, já deu entrada na Agência de Aviação Civil. O processo de licenciamento da empresa ainda não mas será uma coisa para os próximos 15 dias. Estamos agora num período de férias, mas a seguir será dado início à constituição da empresa e ao pedido de aprovação do operador aéreo de direito cabo-verdiano”.

Quem é a Lease Fly?

A Lease Fly é uma empresa que foi constituída em 2008 e dessa altura até hoje especializou-se nas áreas do transporte regional e o transporte executivo. Na sua frota tem disponíveis 4 ATR e um Citation “que é o avião executivo”, explica José Madeira.

O mesmo responsável avança que a Lease Fly é, neste momento, “uma empresa certificada em Portugal, somos certificados pela ONU para o World Food Program, pela Shell Aviation para os Oil and Gas Producers, depois temos neste momento duas bases de operação na Europa uma em Espanha, em Lérida, e outra em França em Limoges”.

“Nós temos desenvolvido a nossa actividade sempre em grande parceria com as companhias de bandeira. O nosso maior cliente hoje é a Air France. Temos trabalhado muito com as companhias de bandeira ou com as grandes companhias regionais um bocado à semelhança daquilo que estamos a fazer com a CVA. No fundo nunca entrar em concorrência com essas empresas, mas acima de tudo prestar um serviço competitivo e de qualidade, sendo sempre a continuação da empresa de bandeira tanto para salvaguardar o feeding dessas empresas como também para explorar áreas de mercado que possam estar com défices de operação ou outro tipo de operações”, conclui.

Fonte: Expresso das Ilhas

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