IV fórum Mundial de Desenvolvimento Local: Presidente alerta que o mundo tem recursos para travar perdas no desenvolvimento humano e social e reduzir privação

O Presidente da República de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, alertou hoje, na Praia, durante a abertura do IV Fórum Mundial de Desenvolvimento Local, que o mundo tem suficientes recursos, conhecimento e tecnologia para travar as perdas no desenvolvimento humano e social e reduzir substancialmente a privação

Dirigindo-se aos mais de dois mil presentes, no Estádio Nacional, representando mais de 80 países do mundo, o PR adverte (ver discurso integral na rubrica Registos deste site) que faltam vontades e modelos diferentes para uma partilha de prosperidade para a realização pessoal no local onde nascemos e criamos. «Faltam, no entanto, as vontades e modelos diferentes para uma partilha da prosperidade que não se esgota na satisfação material e engloba a possibilidade de realização pessoal no local e no país onde nascemos e crescemos. Para o efeito, há que se ter a coragem de combinar, como atrás me referi, aos indicadores macroeconómicos a análise do impacto real das políticas sobre a melhoria da qualidade de vida das pessoas. Esta é uma opção que se traduz, eventualmente, numa outra forma de governar em que as sociedades sejam capazes de responder adequadamente às transformações que experimentam elas mesmas».

Para Jorge Carlos Fonseca, sem essa governança participativa que coloque os actores locais na linha da frente de todo o processo de desenvolvimento, não se atingirá um desenvolvimento local sustentável. «Nesta perspetiva, convém repensar o papel do Estado na promoção das capacidades e condições para este modelo de desenvolvimento local e acredito ser este Fórum o espaço ideal para se começar esta aliciante viagem».

Jorge Carlos Fonseca faz que questão de realçar que fala nas capacidades que devem ser criadas, sobretudo pelo Estado, mas também por outras entidades, por considerar que o caminho não se faz sem competências. «Os atores locais têm de ser capazes de prever um problema antes de que se instale, de diagnosticar os problemas quando instalados e de negociar respostas comuns para superar o problema. Senão o risco é mesmo o de colapsarem por falta não de vontade, mas de possibilidades», destaca.

A vez da África e de Cabo VerdeO Chefe de Estado realçou que, com a realização deste fórum em Cabo Verde, chegou a vez da África. «Registamos com muito apreço que chegou a vez da África e acreditamos que a escolha de Cabo Verde estará relacionada com o reconhecido esforço do povo destas ilhas que, num meio com muito parcos recursos materiais, tem conseguido criar uma Nação fortalecida numa cultura que combina fragmentos de muitas outras e que faz da luta e da perseverança um modo de ser e de estar».

Para o Presidente cabo-verdiano, vale a pena o esforço nacional que acolher o fórum, que muita orgulha a nação da Cesária Évora e do Jorge Barbosa. «Fugiria à verdade se não aceitasse, com toda a franqueza, que este reconhecimento do esforço do nosso povo, que consiste na escolha da terra de Jorge Barbosa e de Cesária Évora para realizar este grande evento, gratifica-nos muito particularmente».

É que, segundo conclui Jorge Carlos Fonseca, ser o cenário de um grande esforço de reflexão em relação a questões de Desenvolvimento Económico Local, que são vitais para importantes contingentes da humanidade e uma possível alternativa frente às grandes incertezas do mundo de hoje, muito privilegia e distingue Cabo Verde.

Fonte: A Semana

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