Estudo mundial sobre impacto de micro-plásticos em animais marinhos filtradores passa por Cabo Verde

Paulo Vasconcelos, aluno de Ciências Biológicas da Uni-CV, vive um misto de “orgulho e satisfação” por fazer parte das equipas mundiais que efectuam um estudo comparado do impacto de micro-plásticos e partículas naturais em animais marinhos filtradores

É que, Paulo, ao lado do seu colega alemão Leo Gottschalck, da Universidade de Rostock (Alemanha), tem consciência de que a experiência que têm em curso, numa das salas do Centro Oceanográfico do Mindelo (OSCM, na sigla em inglês), em São Vicente, pode, em caso de validação, trazer uma “revolução tremenda” para o futuro da humanidade.

No estudo estão envolvidas universidades de países como Chile, Portugal (Madeira), Brasil, Indonésia, Japão, África do Sul, Tasmânia e Israel, para além de Cabo Verde, ou seja, uma equipa em cada oceano, em diferentes latitudes, daí o “grande prazer” que Paulo revela por estar a representar Cabo Verde nesta experiência mundial.

E no Dia Mundial do Ambiente, que se celebra hoje, a fomos conhecer “in loco” o estudo “entusiasmante” que é realizado numa parceria entre a Universidade de Cabo Verde (Uni-CV) o Instituto de Pesquisa Oceânica Alemã (Geomar) e Centro Oceanográfico do Mindelo.

O projeto denomina-se GAME, cujo intercâmbio internacional junta alunos de diferentes universidades do mundo e de diferentes cidades alemãs, sendo esta a segunda vez que a Uni-CV participa neste programa.

A ideia, contou Paulo Vasconcelos, é comparar quais são os efeitos do microplástico em relação às partículas naturais nesses organismos, a partir de um estudo que utiliza um pó vermelho, denominado Red Clay, ou seja “o famoso pó di terra industrializado”, mas com o mesmo tamanho de partículas, e a Diatom Cellite (uma espécie de cal industrializada) para comparar com PVC e com o plástico PMMA, utilizado na indústria do tratamento dentário.

Basicamente, continuou, será utilizado no estudo o molusco “Brachidontes puniceus”, que se pode encontrar na costa nordeste de São Vicente, que será dividido por garrafas de plástico (PED) de 2 litros, de formato liso, onde os animais serão oxigenados, mas com as partículas suspensas com a ajuda de uma pequena rede colocada no interior das garrafas.

“Depois vamos verificar a forma como os moluscos filtram a água, em quanto tempo e o número de partículas em suspensão”, precisou, sendo objetivo final observar qual o “real impacto” dos microplásticos nesses moluscos.

É que, conta Paulo Vasconcelos, já foram feitos diversos estudos a nível mundial sobre microplásticos, mas este é inédito porque nunca o microplástico foi comparado com outras partículas como neste estudo.

“Vamos procurar saber se o microplástico é realmente um problema e, quando fizermos todas as comparações, estaremos em condições de dizer, por exemplo, se os moluscos não se importam com os microplásticos,comem-nos e descartam-nos sem problemas, ou então se não conseguem descartar os microplásticos e se estes afetam seus órgãos internos, através de testes que vamos fazer de respiração, filtragem e outras”, precisou.

A primeira fase decorreu na Alemanha, durante um mês, em que Paulo Vasconcelos e Leo Gottschalck receberam a introdução sobre o projeto, que é coordenado por Mark Lens, que faz parte da equipa do Departamento de Ecologia Marinha do Geomar, em Kiel.

Agora têm seis meses para concluir o estudo em São Vicente e regressar à Alemanha para, numa “linha de comando”, inserir e trabalhar os dados recolhidos no terreno e apresentar os resultados.

“Quando tivermos os resultados finais do nosso trabalho, vamos comparar com outros estudos idênticos que estão a ser realizados por universidades de diversos países”, concretizou, na expetativa do “melhor resultado para Cabo Verde”.

Por se tratar do Dia Mundial do Ambiente, o futuro cientista aproveitou para apelar à consciência ambiental das pessoas, sobretudo no momento de descartar o lixo, e dá um exemplo: “No dia 1 de Maio, andávamos à procura das garrafas de plástico para a experiência e, na Baía das Gatas, encontrámos mais de 30 garrafas na praia, sorte para nós que delas necessitávamos, mas mau para o ambiente, um desastre”.

“Por descuido uma pessoa lança uma garrafa de plástico no mar e diz que é apenas uma garrafa, uma beata de cigarro, não vai acontecer nada, mas isto é dito por 7 biliões de pessoas por dia, lixo que depois vai regressar, através de microplásticos, à mesa de cada um”, enfatizou.

Fonte: Sapo CV

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