Projecto Vitó quer melhorar o conhecimento para conservação da espécie de flora ameaçada de extinção

O Projeto Vitó, uma organização não-governamental, começou a implementar o projecto “melhorar o conhecimento para conservação da espécie de flora ameaçada de extinção nas ilhas do Fogo e Brava”, financiado pelo Fundo de Parceria para Ecossistema em Perigo (CEPF).

O diretor da ONG “Projecto Vitó”, Herculano Diniz, disse à Inforpress que o projeto tem a duração de dois anos (Abril de 2019 a Março de 2021), um financiamento de 140 mil dólares, quatro componentes, nomeadamente a monitorização, a capacitação, a informação e sensibilização e a restauração da biodiversidade, e visa reforçar o conhecimento sobre as espécies de plantas endémicas ameaçadas nas duas ilhas.

Na componente de monitorização, investigação e seguimento, segundo o director da ONG “Projecto Vitó”, o trabalho consistirá na avaliação do estado de todas as espécies endémicas que estão classificadas como ameaçadas ou criticamente ameaçadas de extinção, assim como o levantamento geral dessas espécies, quer na ilha do Fogo como na Brava.

Na ilha do Fogo estão catalogadas 41 espécies endémicas de Cabo Verde, sendo que seis são endémicas da ilha, e na Brava 19 espécies catalogadas como endémicas do país e uma exclusiva da Brava, disse o diretor do Projecto Vitó.

Indicou que a nível da ilha do Fogo 73% das espécies catalogadas estão na categoria de ameaçadas e criticamente ameaçadas, incluindo as seis endémicas da ilha, enquanto na Brava a maioria também encontra-se na mesma condição e a única endémica da ilha está criticamente ameaçada.

A segunda componente do projeto incide sobre informação e sensibilização, e prevê-se um conjunto de atividades, junto das escolas e das comunidades, para que as pessoas passem a conhecer melhor as espécies endémicas, o seu valor e dessa forma começarem a desenvolver atividades para a sua proteção e conservação.

Dentro da parte de informação está programado a produção de materiais informativos sobre as plantas endémicas, a execução de um plano de reabilitação de uma zona, a de Fajãzinha (Mosteiros) que, segundo Herculano Diniz, é uma zona exígua, mas que tem uma grande densidade de endemismo, todos ameaçados, mas também foi escolhida, por ser uma zona que dispõe de um porto de pesca e onde se faz extração de pedras e areias.

No quadro da componente “reforço da capacitação” as actividades recaem na capacitação dos técnicos da área protegida da ilha do Fogo, Parque Natural do Fogo (PNF) e do Projecto Vitó, estando prevista uma missão às Ilhas Canárias, em parceria com a Universidade Las Palmas e com Jardim Canário, visando capacitação dos técnicos em matéria de monitorização da flora, sobretudo na área do PNF.

Devido à inexistência de um plano de monitorização o projeto pretende produzir um plano de monitorização ecológica da flora do PNF, visando reforçar a capacidade de gestão, assim como atualizar o trabalho realizado em 2015 dentro da Caldeira, Bordeira e floresta de Monte Velha.

Outra ambição do projeto é fazer o levantamento na ilha Brava, a única ilha de Cabo Verde que não dispõe de uma área protegida, e, segundo Herculano Diniz, em princípio a área escolhida será a de Fajã d'Água, que tem maior potencialidade a nível da flora para ser indicada como área protegida.

“O projecto Vitó em parceria com a Universidade de Barcelona já fez um levantamento da fauna, especialmente das aves, na Brava, e com este projeto de conservação de plantas, iremos trabalhar e solicitar a criação de uma área protegida, porque existem os Ilhéus, que são reservas naturais e que pertencem ao território da ilha Brava, mas a ilha em si é a única em Cabo Verde que não tem uma área protegida”, disse Herculano Diniz.

A quarta componente, adiantou, é a de restauração, e, neste quadro, será identificada uma área degradada, dentro do PNF e na ilha Brava, que é importante, para a conservação da flora, e juntamente com outras entidades, como as delegações do MAA, o projeto irá produzir plantas endémicas ameaçadas e a sua fixação para restaurar a área como forma de melhorar o estado da população das espécies ameaçadas.

Como benefício este aponta que o projeto, de entre outros, dará um grande contributo para o conhecimento real do estado de todas as espécies ameaçadas nas duas ilhas, o reforço da área protegida, criação de documentos, possibilidade de criação de uma área protegida na ilha Brava, capacitação técnica e da gestão das áreas protegidas, divulgação da imagem, sensibilização e conhecimento ambiental, publicação de atlas de todas as floras endémicas de Cabo Verde para o conhecimento e para a conservação da flora.

Com o financiamento deste projeto, a ONG “Projecto Vitó”, segundo o seu diretor, está a crescer e neste momento executa quatro projetos.

Além deste, indicou, tem o projeto executado em parceria com a Universidade de Barcelona no domínio de “promoção e conservação de aves marinhas de Cabo Verde”, e em parceria com a delegação do MAA, Direção Nacional de Ambiente (DNA) e CBIOS de Portugal, vai começar a implementar o projeto que vai estudar os répteis terrestres da ilha, que apesar de ser uma espécie ameaçada é mal conhecida.

Há ainda um outro projeto que é de “extrema importância” para o Projecto Vitó e que está na fase final de negociação com o parceiro, Fundação MAVA, para o seu financiamento que é o projeto que visa o reforço e desenvolvimento organizacional desta ONG para tentar estruturá-la e torná-lo numa organização bem preparada, auto-sustentável no futuro e referência em Cabo Verde.

Fonte: Sapo CV

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