Quem é Mónica Semedo, a cabo-verdiana que foi eleita para o Parlamento Europeu?

Mónica Semedo, filha de imigrantes cabo-verdianos no Luxemburgo, foi eleita domingo para o Parlamento Europeu. A sua história é de superação.

Monica Semedo, que tinha falhado a eleição para o Parlamento luxemburguês nas últimas legislativas, em outubro, foi agora a segunda eurodeputada eleita pelo partido liberal (DP), do primeiro-ministro Xavier Bettel, o grande vencedor destas eleições, conquistando mais um mandato do que em 2014.

A antiga estrela televisiva da RTL esteve na origem de um dos casos controversos da campanha, depois de o ADR, um partido anti-estrangeiros, ter colado o ‘slogan’ “não à imigração ilegal” por baixo de um dos seus cartazes, embora o partido nacionalista tenha defendido ao Contacto, jornal português no Luxemburgo, que se tratou de “um acaso”.

Já nas últimas legislativas os cartazes de campanha de Mónica Semedo tinham sido vandalizados em Grevenmacher, a localidade onde cresceu.

Mónica Semedo nasceu no Luxemburgo em 1984, filha de imigrantes cabo-verdianos de Santa Catarina, que chegaram ao país no início dos anos 1970. A mais nova de cinco irmãs participou num concurso de escolas com três anos, gravando um disco e começou a apresentar um programa infantil no canal de televisão RTL com apenas 12 anos.

Com dois anos, ela e as irmãs foram colocadas num lar para crianças, onde acabariam por ficar durante cinco anos. O pai, professor em Cabo Verde, trabalhou nas obras no Luxemburgo e morreu num acidente de viação quando Semedo tinha nove anos. As cinco irmãs foram criadas pela mãe, que trabalhou nas limpezas.

Mónica Semedo é licenciada em Ciências Políticas pela Universidade de Trier, na Alemanha, onde defendeu uma tese sobre as negociações do segredo bancário no Conselho dos Assuntos Económicos e Financeiros (Ecofin).

Em 2015, foi nomeada embaixadora da organização não-governamental Aldeias de Crianças SOS.

Após ter falhado a eleição nas últimas legislativas, foi nomeada responsável de comunicação da agência governamental “Luxembourg for Finance”, cargo que ocupa atualmente.

O primeiro-ministro Ulisses Correia e Silva já deu os parabéns à cabo-verdiana, dizendo que tal facto demonstra uma “boa integração” de cabo-verdianos no Luxemburgo.

Fonte: Expresso das Ilhas

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