"Manter a identidade do artesanato de Cabo Verde tem sido uma luta de resistência"

O mestre Artesão Marcelino dos Santos afirma que preservar e manter a identidade do artesanato cabo-verdiano tem sido uma luta de resistência. Posição defendida em entrevista a Rádio Morabeza, à margem da URDI 2018, que por estes dias decorre no Mindelo.

“Uma resistência, porque não é fácil. [O artesanato nacional] tem tido maus bocados, mas também tem tido bons momentos. É com resistência, com força, coragem porque o Centro [Nacional de Artesanato] esteve inativo durante oito anos, foi encerrado em 2000 e reaberto em 2008. Foi uma luta, muitas das pessoas que faziam parte do centro abandonaram tudo, alguns emigraram, outros foram para outras ilhas, realmente é uma força de vontade de quem continuou nesta área”,afirma.

A herança e papel do antigo Centro Nacional de Artesanato na formação artística de hoje em Cabo Verde é o ponto de partida de cada ciclo de conversas da edição 2018 da Feira Nacional de Artesanato e Design de Cabo Verde.

A mudança da Cooperativa Resistência a Centro Nacional de Artesanato, segundo Marcelino dos Santos, que fez parte do grupo que na década de 70 fundou o Centro, foi um passo decisivo para a promoção do artesanato nacional, sobretudo na preservação da arte da tecelagem.

“Foi grande ganho, porque a partir do Centro Nacional de Artesanato conseguimos preservar a nossa cultura, neste caso a tecelagem que estava em agonia. Então, o CNA é que conseguiu ir para as outras ilhas, incentivar os artesãos que já estavam inactivos por falta de matéria-prima e outros motivos. Conseguiu chegar ao interior de Santiago, Santo Antão e outras ilhas para resgatar os artesãos, apoia-los e a partir daí recomeçaram os seus trabalhos”, refere.

A questão da comercialização e escoamento das peças é actualmente, segundo Marcelino dos Santos, um dos principais constrangimentos dos artesãos.

“É um ponto que realmente é fraco em Cabo Verde, o escoamento dos produtos. Os cabo-verdianos não têm poder de compra e então é aqui, na parte de comercialização, que nos falta alguma coisa. Muitas vezes trabalhamos e as nossas peças ficam guardadas na mala porque não há escoamento”, lamenta.

Marcelino dos Santos acredita que o projeto para o mapeamento e certificação do artesanato nacional, já em curso, e que consta do plano de ação 2017/2020 do Centro Nacional de Arte, Artesanato e Design vai reforçar e valorizar o trabalho que se tem feito em prol do artesanato tradicional, principalmente com a consolidação da marca “Created in Cabo Verde”, bem como garantir a sustentabilidade da classe.

Fonte: Expresso das Ilhas

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