Governo nomeia nova administração da transportadora aérea cabo-verdiana

Um novo Conselho de Administração da Transportadora Aérea Cabo-verdiana (TACV) foi formado com à sua frente um economista, José Luís Sá Nogueira, até agora delegado da companhia no Brasil, anunciou o Governo cabo-verdiano. O Conselho de Administração integra ainda Armindo Sousa, Administrador Financeiro, e o comandante Mário Socorro Barbosa na função de Administrador de Operações.

Ao fazer este anúncio, o ministro da Economia, José Gonçalves, disse que Governo vai proceder a uma auditoria técnica e financeira a esta empresa que acumulou, desde 2012, uma dívida de mais de 10 milhões de euros.

O governante explicou que esta auditoria, para apurar a verdadeira situação económica e financeira da empresa, vai realizar-se com a “máxima urgência” uma vez  que, frisou, dados já apresentados pela administração cessante “não inspiram confiança e fiabilidade no tocante aos números e aos cenários apresentados".

A mudança do Conselho da Administração, presidida por João Pereirra Silva, dá corpo a uma das promessas de campanha feita pelo líder do Movimento para a Democracia (MpD) e novo primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, de demitir, de imediato,  a administração da TACV, caso vencesse as eleições legislativas de 20 de março último.

No decorrer da conferência de imprensa, o novo ministro da Economia, que passa também a tutelar o setor dos transportes, revelou que o executivo do MpD pretende executar cinco medidas “de imediato” para "responder à atual conjuntura da TACV", confrontada com problemas financeiros e operacionais, e preparar a "restruturação da empresa para a entrada de capitais e a gestão de privados".

Essas medidas passam por nomear "órgãos sociais idôneos e competentes", em que se inclui o novo Conselho de Administração, pela criação de um conselho consultivo constituído por pessoas "experientes em áreas relevantes para os transportes aéreos", em atualização dos estudos, avaliação e planos de ação da companhia.

Encontrar também "soluções inovadoras de reestruturação e privatização da TACV" figura entre estas disposições tomadas.

O governante garantiu que as "medidas tácticas e operacionais necessárias para reestruturar e eventualmente privatizar a TACV serão conhecidas após a realização dos estudos e planos de ação para a recuperação efetiva da empresa".

Segundo ele, neste momento, a companhia área, detida a 100 porcento pelo Estado, custa um milhão de euros por mês aos contribuintes cabo-verdianos, “valor que daria para pagar o ordenado mínimo a 10 mil trabalhadores”.

"Este elevado montante é dinheiro que o Estado não tem, considerando o elevado endividamento público que hoje atinge os 130 porcento do Produto Interno Bruto (PIB)", precisou.

É crítica a situação em que a TACV está a operar nos últimos meses para o estrangeiro, funcionando apenas com com um aparelho próprio, depois do arresto de um outro nos Países Baixos.

Por conseguinte, a TACV tem que recorrer ao fretamento de aviões de outras empresas, sendo esta matéria  um dos temas que dominaram a campanha para as recentes legislativas perdidas pelo Partido Africano para a Independência de Cabo Verde (PAICV), que esteve no poder nos últimos 15 anos (2001-2016).

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