“Até hoje faltou um organismo capaz de dialogar com os empresários do sector turístico”

Os operadores turísticos da ilha do Sal aguardam ansiosamente o inicio de funções do Instituto do Turismo de Cabo Verde, ITCV, com sede na ilha. Muitas são as áreas que carecem de melhoria pelo que esperam que a nova instituição, criada pelo Governo, possa intervir positivamente para a melhoria do sector e das condições de trabalho daqueles que vivem do Turismo na ilha do Sal e, no país.

O empresário italiano, Renato Evarchi, com inves­ti­mentos nos sectores imobi­liário, de restauração e entrete­nimento na cidade de Santa Maria, vê com bons olhos a criação do Instituto do Turismo de Cabo Verde, ITCV, com sede na ilha do Sal. 

“Vejo muito positivamente a instalação do Instituto do Turismo na ilha do Sal, sendo que Santa Maria é, sem dúvida nenhuma, o maior centro de atracção turística de toda a África Ocidental e, o lugar onde se encontram a maioria dos operadores do sector, no país”.

Evarchi, que reside na cidade de Santa Maria há várias décadas, espera que o ITCV possa intervir positivamente na promoção da marca Cabo Verde e no apoio aos pequenos e médios empresários do sector turístico que, a seu ver, “sofrem tremendamente” com a sazonalidade da oferta turistica. 

“O ‘produto Cabo Verde’ é ‘vendível ou apelativo’ apenas por 4,5 meses por ano. Durante o Verão é uma desolação ver a cidade de Santa Maria com praias quase desertas, numerosos bares e restaurantes fechados, peque­nos hotéis e alojamentos vazios e, pouquíssimos turistas a passear no centro desta maravilhosa cidade. Até hoje faltou um organismo capaz de dialogar com os pequenos e médios empresários do sector turístico, daí que em boa hora chega o Instituto do Turismo”, afirma. 

Com o ITCV, o empresário espera que seja concretizado um plano de promoção e captação de um turismo direcio­nado “para os pequenos hotéis, bed & breakfast, hostels e alojamentos nas zonas residenciais, de modo a apoiar o crescimento dos pequenos e médios empresários e, não apenas os grandes resorts”.

Maior fiscalização 

Já a presidente da APROTUR – Associação das agências, proprietários de transportes e prestadores de serviços turísticos do Sal considera serem prioritárias intervenções para a melhoria da situação dos transportes turísticos na ilha e que, na sua óptica, carecem de maior “fiscalização e monitorização como forma a assegurar a qualidade do serviço prestado”.

Neusa Gonçalves recomen­da ainda a intervenção do ITCV na “facilitação do crédito bancário, atribuição de financiamentos e licenças”, esperando que o instituto possa assumir o papel de mediador entre as instituições do governo central e local e os empresários nacionais e estrangeiros do sector, evitando situações de conflito e “choques entre as entidades”. 

“Espera-se ainda que o ITCV venha a cuidar da promoção, do marketing e apoio à comercialização dos serviços e produtos genuínos de Cabo Verde, uma medida fundamental para o reconhecimento e crescimento de pequenos negócios de nacionais”, considera. 

Uniformização no tratamento e nos procedimentos legais do sector turístico, maior capacitação e formação dos operadores e, maior controlo da concorrência desleal são ainda áreas que, segundo a presidente da APROTUR, merecem maior empenho e intervenção estatal, através do ITCV. 

Salários mais justos 

“Salários mais justos para os trabalhadores cabo-verdianos do sector turístico, melhoria das suas condições laborais e habitacionais, acesso à água potável e educação” são alguns dos pontos apontados pela responsável da Singer Tours, empresa de passeios turísticos da ilha do Sal, focada na promoção de um turismo consciente, sustentável e amigo do ambiente.

A responsável, Noy Singer leva os seus clientes para fora da “bolha do all inclusive” e, convida os estrangeiros a conhecer a ilha do Sal real, com todos os seus aspetos positivos e negativos. Singer espera que o ITCV possa ainda contribuir para que o turismo traga consequências positivas para as pessoas e, não apenas para os grandes empresários do sector. “Santa Maria está a perder a sua identidade, é cada vez mais europeia”. Por esse motivo, aconselha o instituto a apostar forte em um turismo voltado para a promoção de todas as manifestações artísticas e culturais que traduzem a identidade cabo-verdiana.

Recorda-se que o Conselho de Administração do Instituto do Turismo de Cabo Verde, I.P, criado pelo Decreto-lei nº 37/2019, foi empossado há sensivelmente uma semana, e tem, entre as suas atribuições, a missão de regular e fiscalizar o sector turístico, implementar políticas, estudos, realizar análises nacionais e tendên­cias internacionais e, ainda promover Cabo Verde como destino turístico.

Na cerimónia de tomada de posse do conselho de administração, o Ministro do Turismo e Transportes, José Gonçalves, afirmou que caberá ao ITCV garantir “o aumento da entrada de divisas, de visitantes e os benefícios para todos os estratos e camadas da sociedade cabo-verdiana”.

Fonte: ECONOMIA

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