Assistentes sociais da Macaronésia reunidos na cidade da Praia

Decorre entre hoje (16) e amanhã, no salão de banquetes da Assembleia Nacional, o Congresso de Assistentes Sociais da Macaronésia que pretende refletir sobre a prática profissional e promover a partilha de experiências oriundas desse espaço geográfico.

Com palco na capital cabo-verdiana, o evento é uma iniciativa da Associação dos Profissionais de Serviço Social (APSS) de Portugal, que “visa debater temas importantes para a profissão e para o bem-estar da população (público-alvo dos Assistentes Sociais)”.

O encontro será momento de partilha das boas práticas, e aprendizagem com experiências de outras regiões da macaronésia, para além de oportunidade de contactos institucionais e individuais.

Em dois dias, cinco painéis, dez conferências e vários momentos de debate, o congresso abordará o percurso histórico do serviço social em Cabo Verde, a sua sustentabilidade, os cenários e desafios da área nos diferentes países, a política de assistência social, metodologias e técnicas de intervenção social, o serviço social na saúde, entre vários outros temas sob o lema “Serviço Social: Direitos Humanos, Justiça e Inclusão Social”.

“Todas as matérias são importantíssimas nessa partilha entre Açores, Madeira, Canárias e Cabo Verde. Porque há contextos sociais diferentes e modos de intervenção diferentes, e isso e extremamente importante partilhar uns com os outros. Porque é assim que crescemos, é assim que nos tornamos melhores profissionais”, disse ao Expresso das Ilhas Natércia Gaspar, representante da Associação Profissional do Serviço Social de Portugal.

Segundo a mesma a APSS está muito interessada em perceber como é a realidade social em Cabo Verde e sobretudo como se combate essa realidade em contextos de pobreza. Quais são as medidas de políticas sociais que há cá para combater a pobreza”.

A escassez de recursos humanos nessa área é algo comum aos dois países pelo que Natércia Gaspar defende que os serviços e diferentes departamentos do governo de Cabo Verde deveriam aproveitar estes profissionais.

“Há escassez de recursos humanos e há gente da área desempregada, com muito potencial. Acho que essa seria a primeira medida. O governo de Cabo Verde reconhecer a importância do profissional de Serviço Social, para ser o executor mas também o promotor de medidas para combater a pobreza”.

Um dos temas a serem abordados em um dos vários painéis temáticos que acontecem durante os dois dias do evento trata dos desafios que o serviço social enfrenta nos países da macaronésia. No caso dos açores e madeira, conforme a representante da APSS, o maior desafio é também o da escassez de profissionais.

“Neste momento temos mais profissionais que Cabo Verde, sem dúvida, ao serviço dos departamentos. Mas o desafio é termos mais, porque neste momento nos Açores, por exemplo, temos um assistente social para mais de quinhentos processos de famílias, e isso acaba por reduzir a ação do assistente social a uma questão muito precedimental, de estatística. E fica este sem tempo para fazer o trabalho efetivo com as famílias no sentido de promover as mudanças que se impõem para a transformação social”, considera a entrevistada.

A mesma avança que Açores e Madeira, à semelhança de Cabo Verde, têm uma longa experiência em projetos locais de intervenção social de luta contra a pobreza, sendo alguns financiados pela União Europeia e pelos governos locais. E destaca um projeto que contou com a intervenção dos países da macaronésia, na área da inclusão social e economia social. O projeto pretende “ combater o desemprego com estruturas de economia solidária, ou seja, não perspetiva o lucro pelo lucro. Todo o lucro é reinvestido em processos sociais”, exemplifica.

Natércia Gaspar avançou ainda ao Expresso das Ilhas que do congresso deverá sair uma entidade profissional a nível dos assistentes sociais da Macaronésia.

Fonte: Expresso das Ilhas

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