História de Cabo Verde em Portugal vai ser digitalizada e enviada para o país

Aos seis quilómetros de documentos que estão no Arquivo Nacional de Cabo Verde (ANCV) irão juntar-se nos próximos anos muitos outros em formato digital, cujos originais estão em Portugal.

Trata-se da segunda fase do projecto Resgate, interrompido por falta de financiamento, mas que irá agora ser retomado, conforme intenção do governo cabo-verdiano, de acordo com Martinho Robalo de Brito. 

O conservador do ANCV - instituição que assinala este ano o 30º aniversário, com o lema "entre o tudo guardar e nada a perder" - revelou que a ideia é trazer os documentos digitalizados de Portugal, onde permanecerão os originais.

É nesse sentido que se deslocará a Lisboa no início do ano, de forma a definir um calendário do projecto, tendo em conta que a escassez de meios não permite que se avance mais rápido.

"O que podermos fazer a curto, médio e longo prazo, faremos. Parados é que não podemos ficar. Se não há dinheiro para tudo, podemos fazer de uma forma mais gradual", disse. 

O objectivo é trazer para Cabo Verde, em formato digital, todos os documentos que contam a história de Cabo Verde e que se encontram na Torre do Tombo, em Portugal. 

Trata-se de documentos "importantes" e de "grande valor". "Alguns estão relacionados com o governo colonial, desde as áreas económicas, sociais, políticas, mas também temos documentos ligados ao registo", declarou. 

Segundo Martinho Robalo de Brito, quase todos os documentos de Cabo Verde do século XV ao século XVII encontravam-se nos arquivos da Cidade Velha que, entretanto, foram saqueados e queimados.

"Ainda bem que existiam cópias que iam para Portugal. Este é um exemplo de documentos que não existem em Cabo Verde e existem em Portugal", acrescentou. 

Para a concretização do projecto Resgate, o conservador do ANCV tem uma meta folgada - 2030. E isto porque o mesmo terá de passar por Espanha, França, Inglaterra, Brasil e Estados Unidos, onde existe "muita coisa sobre Cabo Verde". 

"A ideia é chegar a esses países todos", disse, referindo que para isso vão procurar financiamento, além do apoio do governo. 

O conservador congratula-se com a existência do projecto História Geral de Cabo Verde, que tem publicados três dos seis volumes inicialmente previstos, além de uma síntese, pois ajuda os estudantes e investigadores a descobrirem o passado do arquipélago. 

Para Martinho Robalo de Brito, "é preciso estudar mais, ensinar mais a história geral de Cabo Verde, nas escolas, desde a primária até ao universitário, e completar os volumes que faltam do projeto que inicialmente era de seis volumes". 

Em relação ao papel do ANCV, este deve passar por "servir". 

"Temos uma grande demanda de pedidos de serviços de arquivo dos Estados Unidos e isso poderia ser uma fonte de receitas, mas ainda não estamos em condições de responder a tempo e horas", referiu.

Neste arquivo existem vários fundos, como os da secretaria geral do período colonial, do século XVII ao século XX, fundos associados às alfandegas, aos municípios. Outros têm a ver com documentos políticos, da administração, política e social.

Documentos que são procurados essencialmente por estudantes e investigadores, mas que Martinho Robalo de Brito gostaria de ver consultados e disponíveis para a sociedade em geral.

"As escolas são importantes para nós, mas queremos dar um passo mais além. E num país que já se está a criar o hábito de visitar espaços culturais, queremos aproveitar e criar as condições para o nosso museu. O património é para ser fruído, mas para isso é preciso sustentabilidade e que quem esteja a fruir comparticipe de uma maneira ou outra", disse.

A ideia do conservador é criar um bilhete de acesso, o qual deverá servir para ajudar nas "despesas com as visitas".

Antes, há um risco maior que é preciso "resolver" e que se prende com a segurança das obras expostas.

"Só abrirei as portas, sobretudo para os turistas, quando tiver a certeza da segurança. Mais do que vigilância eletrónica, é preciso vigilância humana", insistiu.

Neste arquivo, o documento mais antigo e mais valioso é um livro de registos de 1700.

Fonte: Expresso das Ilhas

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