Banhistas querem explicações sobre “invasão” da Praia de Kebra Kanela que acreditam pôr em causa o sistema geológico e ambiental

Um grupo de banhistas assíduos da Praia de Kebra Kanela, na Praia, numa atitude que considera ser de cidadania, enviou uma exposição a várias entidades para saber sobre as obras que estão a “invadir” e ocupar espaços que por lei deveriam ser proibidas.

A exposição, assinada por vários amigos e banhistas de Kebra Kanela, que também foi enviada à Câmara Municipal da Praia, visa, segundo uma das assinantes, Elisabeth Coutinho, saber sobre o que está a passar na praia, uma vez que a cada fim-de-semana, há avanços de obras para dentro do mar.

Em declarações à Inforpress, Elisabeth Coutinho afirmou que além, do documento tornado público, o grupo de assinantes quer, também, ser recebido por entidades responsáveis, a quem querem expor as suas preocupações e motivações, visto que a praia de kebra Kanela está a ser “degradada e escondida” por construções que não oferecem qualquer protecção para o sistema geológico e ambiental.

“Nós não estamos a expor apenas a nossa preocupação, mas queremos que académicos e geológicos falem do tema e nos expliquem se há ou não motivos de inquietação com a destruição dos rochedos e da própria obra que vem sendo feita na encosta e sobre a praia”, disse.

Segundo o banhista Jorge Semedo, o que está a acontecer é um “atentado” ao meio ambiente, na medida em que, conforme explicou, com a ocupação, alguns rochedos, onde outrora as pessoas sentavam para desfrutar do mar, hoje já não é possível.

Jorge Semedo questiona ainda a Câmara Municipal da Praia sobre o parecer e a aprovação que a entidade tem dado a estas obras sem haver um estudo ambiental e ecológico e uma consulta pública.

“Eu não compreendo como é possível que a entidade responsável pelo ordenamento do território não tenha nada a dizer quanto à ocupação desenfreada nas encostas das orlas marítimas. O que diz a lei sobre esta matéria”, questionou.

Sobre o tema algumas pessoas têm vindo na rede social (facebook) a manifestar a sua insatisfação quanto às obras que estão a “fazer desaparecer as” encostas da praia de Kebra Kanela, alegando também a necessidade se preservar as pedras que guardam há vários anos alguns fósseis.

Contactada, a Câmara Municipal da Praia, através do vereador de Urbanismo, Rafael Fernandes, garantiu não haver quaisquer implicações a nível ecológico e ambiental com as construções em curso na Kebra Kanela.

“Pelo contrário, estamos a melhorar a encosta. Assim como aconteceu com Prainha , que muitas pessoas dizerem ser um atentado ambiental, agora está a acontecer com obras de Kebra Kanela”, explicou, afirmando não existir nenhuma implicação com estas obras.

O responsável anunciou ainda que a autarquia tem um projecto para a execução de um passeio marítimo frente às obras, realização que acredita talvez esteja a levar as pessoas a muita “confusão”.

O passeio marítimo, disse, visa criar um espaço que possibilite as pessoas com deficiência deslocarem-se sem qualquer problema, visto que irá incluir uma rampa para melhor cessar a praia de mar.

Na Cidade da Praia, as duas praias mais acessíveis banhistas, a Prainha e kebra Kanela, já sofreram obras e mudanças no âmbito do projecto de melhorias das orlas marítimas.

Fonte: InforPress

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