Santiago: Guias turísticos querem efectivar associação

Porém, da teoria à prática, o processo não tem sido fácil

Os guias turísticos de Santiago querem passar do papel à acção, pondo a funcionar a sua Associação, criada há pouco mais de um ano. Esses profissionais querem ver ultrapassadas as questões burocráticas e oficializar, “de vez”, a sua agremiação, em nome da qualidade que se quer para o turismo nesta ilha.

Mais de um ano se passou, sem que na prática a Associação de Guias Turísticos de Santiago tenha, ainda, conseguido começar a funcionar. Isto mesmo, apesar dos vários projectos, ideias e objectivos que têm em mente e que estão na génese da associação.

A ideia de criar essa entidade surgiu depois de uma formação em capacitação de guias turísticos, em Santiago, ministrada pela então Autoridade Turística Central (ATC), então presidida por Gil Évora. Sessenta guias arrancaram a formação, mas só 36 a finalizaram, e cerca de 26 acabaram por abraçar a iniciativa e fazer parte da Assembleia Geral constituinte.

“Na altura, os guias uniram-se para criar uma associação, cujo objectivo é precisamente unificar todo o mercado de Santiago e criar todas as condições legais para institucionalizar a profissão e ajudar a desenvolver de forma sustentável do mercado turístico de Santiago”, disse Fredy Cardoso, guia turístico profissional e um dos envolvidos na criação dessa associação.

Engajamento da tutela
Porém, da teoria à prática, o processo não tem sido fácil. “Temos tido dificuldades de organizar e concretizar a oficialização da associação, mas acreditamos que com a nova direcção do turismo, que aparenta estar mais disponível e aberta ao diálogo, teremos mais possibilidades de conseguir avançar com o funcionamento efectivo”, perspectiva.

Para que isso aconteça, Fredy avança que a associação está a tentar agendar um encontro formal com o ministro da tutela, José Gonçalves, e com o primeiro-ministro Ulisses Correia e Silva, para juntos abordarem “questões burocráticas” e oficializar “de vez” a associação.

“Nós, os guias, precisamos de maior cooperatividade entre nós, partilha de informação, partilha de conhecimentos, mas também maior solidariedade profissional tendo em conta que nem todos trabalhamos na base de contratos com agências. Na maioria, somos freelancers, outros nem isso. Há uma variedade enorme de perfis profissionais de guias de turismo”, explica Fredy, guia especialista em turismo de caminhadas, ornitologia e observação de plantas.

Esse profissional defende que se os guias de Santiago conseguirem trabalhar para “uniformizar” a parte dos perfis profissionais, que não esconde ser uma parte “bastante delicada”, todos poderiam contribuir para responder por um turismo de “melhor qualidade” na ilha de Santiago. Isto sem deixar de fora a inclusão de toda a sociedade. “Não podemos desenvolver turismo em parte nenhuma, sem incluir a comunidade, os habitantes locais”, atesta.

Intervenção técnica
No seu entender, há vários factores e aspectos que precisam ser melhorados no que tange ao turismo de Santiago. “Refiro-me, em concreto, à questão das caminhadas e uso dos trilhos e caminhos vicinais que, para nós, nacionais, são caminhos utilizados para as actividades rurais do quotidiano, mas que, para os turistas, terão de ser melhorados e adaptados às suas capacidades de deslocação”.“Normalmente”, acrescenta, “os turistas estão habituados a caminhos mais largos, com terreno mais bem preparado e um piso de melhores condições, para que possam desfrutar do circundante ou seja da paisagem que envolve os caminhos”.Fredy defende ainda que é preciso trabalhar o marketing do destino Santiago. “A ilha tem recantos virgens ainda escondidos e é preciso trabalhar mais na divulgação desses recantos”, além das paisagens já sobejamente conhecidas.A par disso, não esconde a importância de se investir na educação para o turismo, especialmente na ilha de Santiago onde o turismo está a despontar, e de se apostar em campanhas de sensibilização e intervenção junto dos vários parceiros como as câmaras municipais, e outros organismos.
“É importante termos sítios e monumentos históricos atrativos, ilustrados com informações coerentes e concisas para que possamos, de facto, aproveitar o turismo globalmente, conforme a especialidade de cada guia de turismo”, conclui.
Analisadas e estruturadas todas essas questões, Fredy acredita que poderá se tirar partido de um turismo com alto potencial em Santiago, que daria para concorrer com qualquer outro destino de natureza, ecológico, cultural ou religioso.Fonte: A Nação

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