Fórum vai trazer o mundo para Cabo Verde – representante das Nações Unidas

Ulrika Richardson assinalou ainda o impacto do fórum, que reunirá cerca de 2.000 participantes de mais de 80 países, na economia da ilha de Santiago

A representante das Nações Unidas em Cabo Verde, Ulrika Richardson, acredita que o fórum de desenvolvimento local, que na próxima semana decorre em Cabo Verde, vai dar a conhecer o país e ter um impacto positivo no turismo.

“Cabo Verde ainda tem um espaço a ganhar em termos de ser conhecido. Há muitos cabo-verdianos fora e agora é trazer também o mundo para Cabo Verde e fazer conhecer o país. Isto pode ter um impacto depois no turismo, num turismo que seja mais do que o turismo de sol e praia”, disse Ulrika Richardson.

A representante das Nações Unidas falava em entrevista à agência Lusa a propósito da realização, na cidade da Praia, entre terça e sexta-feira, do IV Fórum Mundial de Desenvolvimento Local, promovido pelo Governo de Cabo Verde em parceria com as Nações Unidas e um conjunto de cidades e governos locais e regionais.

Ulrika Richardson assinalou ainda o impacto do fórum, que reunirá cerca de 2.000 participantes de mais de 80 países, na economia da ilha de Santiago.

“Vão chegar aqui pessoas que vão consumir e deixar também um marco financeiro nos restaurantes, hotéis, etc. Mas há também parceiros que vêm para fazer parcerias de cooperação descentralizada e para discutir futuros investimentos. Tudo vai ter impacto”, adiantou.

A representante das Nações Unidas apontou ainda a oportunidade que o fórum representa para os municípios cabo-verdianos que poderão apresentar no evento as suas potencialidades e diferenças culturais e de desenvolvimento.

“É uma grande prova organizar o fórum. É também para mostrar uma imagem de Cabo Verde como anfitrião de grandes fóruns porque no mundo há muitas reuniões, muitos fóruns a serem organizados e há também uma procura de lugares e países com cultura interessante, estabilidade, proximidade da Europa, África e América Latina, segurança e um clima simpático. É uma maneira de Cabo Verde demonstrar que tem capacidade de organizar e receber pessoas”, sublinhou.

Sobre o conteúdo das discussões do fórum, Ulrika Richardson destacou o debate em torno do papel dos atores locais no desenvolvimento, de como esse papel pode ser reforçado e como podem participar nas decisões a nível nacional.

“A força das democracias dinâmicas é a essa ligação e esse diálogo entre o local e o nacional porque é a nível local que estão os cidadãos e o Estado tem que estar perto das necessidades dos cidadãos”, considerou.

A forma de financiamento dos pequenos estados insulares, caracterizados em geral por terem pouca população e mercados limitados, é outro dos temas destacados por Ulrika Richardson.

“Cabo Verde tem um custo de gestão do país altíssimo porque tem nove ilhas e tudo tem que ser multiplicado por nove (…) e como a população é pouca a base fiscal não é grande e se não houver uma base fiscal grande, de onde tirar dinheiro para o orçamento? Por isso é preciso ver como alargar a base fiscal e como dinamizar os setores para criar emprego formal. É uma equação difícil”, apontou.

A representante das Nações Unidas acredita que esta equação poderá ser facilitada com a descentralização do poder no país, mas alerta para a necessidade de pensar bem um processo que pode implicar riscos para a coesão nacional.

“É altamente importante que seja uma descentralização que, por um lado, permita aos municípios e territórios ter os recursos para acelerarem o seu desenvolvimento, mas tem que ser forte o suficiente para manter a coesão nacional”, disse.

Para Ulrika Richardson, quando existe uma geografia fragmentada, como acontece em Cabo Verde, um país com nove ilhas habitadas, “uma descentralização mal pensada pode ter o risco de haver também uma fragmentação nacional”.

“Isso não pode acontecer porque se existe já uma fragmentação geográfica é importantíssimo ter uma visão coerente do país e uma sensação de solidariedade nacional. Há ilhas que têm mais riqueza do que outras e a descentralização tem que ter um sistema excelente e sólido de motivar cada ilha a procurar o desenvolvimento usando os seus recursos de forma acelerar o progresso socioeconómico desta ilha e ao mesmo tempo que exista uma transferência económica e financeira que também possa aproveitar outras ilhas”, defendeu.

“A descentralização é uma questão de soberania para Cabo Verde e que tem que estar no coração de como será Cabo Verde no futuro”, sublinhou.

Notícias

MasterPlan do Turismo da ilha do Sal apresentado em Santa Maria

Açores apoia Cabo Verde na valorização das cadeias de valor agrícolas

FIC “despede-se” da Laginha com balanço positivo