Cabo Verde esperançado numa visita do Papa Francisco ao arquipélago

O Presidente República de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, disse, quarta-feira, na cidade da Praia, estar “esperançado” de que o Papa Francisco visite o arquipélago, este ano, em resposta a um convite que lhe dirigiu neste sentido, quando visitou o Vaticano, em maio de 2013.

O chefe de Estado cabo-verdiano disse abordar este assunto sempre que recebe o Núncio Apostólico (representante da Santa Sé em Cabo Verde, mas com residência em Dakar, Senegal).

As suas declarações seguem-se às afirmações feitas, terça-feira, pelo cardeal Arlindo Furtado de que o Papa Francisco já “mostrou interesse» por visitar Cabo Verde e que "se não for neste será com certeza nos próximos anos”.

O representante máximo da Igreja Católica no país, que assinala esta quarta-feira o segundo aniversário da sua nomeação como primeiro cardeal cabo-verdiano, reconheceu também que “não é tão fácil organizar a viagem do Papa, por uma questão de segurança, agenda e logística”.

Dom Arlindo Furtado recordou que, habitualmente, quando o Papa viaja, aproveita para visitar dois países pelo menos.

“Então é preciso consertar entre os países vizinhos, próximos, para que a viagem se faça ao mesmo tempo”, sustentou.

No entanto, o cardeal disse acreditar que Cabo Verde tem condições logísticas e diplomáticas para acolher o Papa Francisco, que considera ser um «homem simples».

Em novembro passaso, o núncio apostólico do Vaticano para o Senegal, Cabo Verde, Guiné-Bissau e Mauritânia, Michael Banach, afirmou, na cidade da Praia, que o Vaticano está a analisar quais são as “reais possibilidades” de o Papa Francisco visitar Cabo Verde.

A acontecer, esta seria a segunda visita de um chefe máximo da Igreja Católica a Cabo Verde, país que recebeu, em janeiro de 1990, o Papa João Paulo II, que correspondeu a um convite do falecido Presidente da República, Aristides Pereira, e do bispo emérito, Dom Paulino Évora.

Em caso de visita ao país, um dos assuntos que o Papa Francisco poderá analisar com as autoridades é a concordata entre Cabo Verde e o Vaticano, assinada em junho de 2013 e que estabelece a base jurídica no tratamento das questões religiosas perante os poderes públicos.

Segundo Dom Arlindo Furtado, o documento jurídico veio clarificar as relações entre Igreja e Estado e, até agora, o resultado é positivo e servirá de exemplo para outros países e outras situações.

“Dá essa garantia de relacionamento mais estável e mais segura entre Igreja e Estado, por um lado, e por outro vai permitir-nos alargar o leque das nossas intervenções”, referiu, apontando a introdução da disciplina de moral e religião católica nas escolas, assistência religiosa nas cadeias e ter capelões nos hospitais e nos quartéis.

Cabo Verde é depositário da mais antiga Diocese em África,  criada em 1533 na ilha de Santiago.

Ao princípio, ela estendia-se por uma vasta área da região do continente de África. Depois, com o andar do tempo, ficou limitada às ilhas do arquipélago onde mais de 80% da população professa a religião católica.

Fonte: Panapress

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