Banco Central de Cabo Verde procede a corte de dois pontos na taxa diretora

O Banco de Cabo Verde (BCV) anunciou, segunda-feira, um corte de 2% nas taxas diretoras, que passa de 3,5% para 1,5%, com o objetivo de  aumentar o crédito na economia e reduzir as taxas de juro no país.

Em conferência de imprensa, o governador do BCV, João Serra, revelou que, além da redução da taxa diretora – taxa de referência para os bancos se emprestarem dinheiro entre si –, a sua instituição baixou ainda a taxa de facilidade permanente de cedências de liquidez – taxa paga pelos bancos quando pedem dinheiro ao banco central –, que desce dos 6,5% para os 4,5%.

O BCV anunciou também reduções nas taxas de facilidade permanente de absorção de liquidez, que passa de 0,25% para 0,1% e de redesconto que desce de 7,5% para 5,5%.

Conforme João Serra, o aumento do crédito à economia, que irá resultar dessas medidas tomadas pelo BCV, induzirá um impulso adicional ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).

“Do mesmo modo, espera-se contribuir para a estabilidade do Índice de Preços no Consumidor, combatendo o potencial impacto negativo do cenário de deflação", acrescentou.
Segundo ele, o corte nas taxas integra um pacote "inédito e amplo" de medidas de "estímulo ao financiamento" aprovadas pelo BCV, que inclui ainda a eliminação do limite máximo fixado para a concessão de crédito por parte do Banco Central à banca comercial.

Serra disse esperar que, com as medidas agora anunciadas, os bancos comerciais tenham acesso a dinheiro mais barato, que, por sua vez, façam repercutir esses cortes nos empréstimos aos clientes.

"Estão criadas as condições para que possamos ter no país um mercado interbancário mais atuante, mais eficaz e que cumpra com o seu papel", acrescentou o governador bancário, apelando aos bancos para acompanharem "os esforços" de redução de taxas do BCV.

Disse aguardar que o setor bancário tenha uma ação consequente enquanto agente impulsionador da transmissão monetária, bem como do crescimento económico.

O responsável sublinhou que a expetativa do BCV é que haja, portanto, maior proatividade na seleção dos projetos para crédito, imposição de confiança no mercado, inovação e competitividade.

Fonte: Panapress

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