Artistas da CPLP pedem "passaporte artístico"

Agentes culturais da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) defenderam ontem, a possibilidade de lhes ser facultado um passaporte diplomático, na qualidade de artistas, para que possam viajar e levar a cultura a outros continentes.

A ideia foi apresentada durante o Workshop sobre o tema “CPLP- Arte, Cultura e Música sem Fronteiras- Livre Trânsito” realizado segunda-feira à tarde, num dos hotéis da Cidade da Praia, no âmbito da primeira edição do projecto Residência Artística – Sons da Lusofonia, que decorre na capital cabo-verdiana, de 13 a 22 do corrente.

No debate, que arrancou com uma explanação de Patrick Borges, do Kriolideias, ficou claro o nível de frustração que os artistas têm quando “mendigam” visto para outros países, particularmente para a CPLP.

“É uma frustração a nível da CPLP o que nos faz pensar que na comunidade existem apenas dois países, Portugal e Brasil, e que o resto é tudo abaixo. Nós quando temos de ir a estes dois países é com muita dificuldade, mas já os seus cidadãos para virem a Cabo Verde é muito fácil”, disse.

Perante esta realidade, Patrick Borges, que também é manager e produtor, questionou o facto de alguns mercados serem mais livres, quando a arte, que é a identidade de um povo, não conseguir ter essa “livre circulação”.

E por se tratar de um “problema sério” a nível da CPLP, o agente cultural espera que com Cabo Verde à frente da organização, seja possível dar passos favoráveis para a livre circulação.

Já o músico português Zé Perdigão, que ultimamente tem trabalhado com artistas cabo-verdianos, entende que é preciso que haja um passaporte que acredite os músicos a sair do país, sem terem de sofrer com vistos.

Remna Schwarz lamentou também que a livre circulação no espaço CPLP não seja uma realidade e referiu-se às dificuldades de transportar uma equipa musical a outros países membros da Comunidade.

A Iª edição do projecto “Residência Artística” conta com um programa que abrange exposições de artesanato, pintura, fotografia, workshops, literatura, responsabilidade social, através de pequenos concertos, e conferências.

Fonte: Expresso das Ilhas

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